sábado, 28 de janeiro de 2012

3773. Subsolo congelado da Rússia corre riscos ambientais


As áreas do permafrost (subsolo que deveria estar permanentemente congelado) cobrem 60% a 70% do território russo, concentrado, em sua maior parte, reservas de recursos naturais. O desenvolvimento da exploração de petróleo e gás representa uma ameaça para a preservação dessas terras, talvez muito maior que os riscos de derretimento do permafrost devido à mudança climática global.
O permafrost não é mais eterno, e esse facto pode ser fonte de muitos problemas. Pedras de gelo não são boa base para construir nada, de casas para habitantes a ferrovias e gasodutos, mas, quando se tem enterrada a herança nacional de um país no permafrost (segundo algumas estimativas, cerca de 70% das reservas de gás comprovadas na Federação Russa), você simplesmente não tem outra saída. Os russos, nesse sentido, não estão sozinhos; povos do Alasca, por exemplo, enfrentam problemas semelhantes. É necessário saber quem irá protegê-los e como eles irão se desenvolver (é desejável que se evite desastres ecológicos), e o que acontecerá realmente com o permafrost.
No caso das hipóteses mais difundidas e assustadoras, teremos o derretimento do permafrost devido ao aquecimento global. Recentemente o chefe do centro Antistikhia (Ministério de Monitoramento e Previsão de Situações de Emergência da Federação Russa), Vladisláv Bolov, compartilhou com a agência de notícias RIA Novosti o prognóstico de que, nos próximos 30 anos, a área do permafrost na Rússia irá diminuir de 10% a 18%, a temperatura dos solos do permafrost na Península de Iamal vai aumentar em média de 1,5 a 2ºC e os limites do permafrost dentro de meio século “se deslocarão para o nordeste de 150 km a 200 km”.
De acordo com outro ponto de vista, o clima no planeta realmente está sujeito a mudanças, mas não necessariamente por causa do homem, e a grande questão é se elas ameaçam o permafrost. Segundo a pesquisadora líder do Instituto da Criosfera da Terra, Galina Malkova, prever uma redução ainda maior na temperatura ou, em contrapartida, um novo circuito de aquecimento é simplesmente impossível: as monitorizações regulares da temperatura das rochas duram ao todo de 40 a 50 anos, com esse tempo seria impossível traçar padrões rítmicos. A temperatura do permafrost não pode mudar tão rapidamente, como a temperatura do ar, sendo assim, difícil derretê-lo.
Mas o permafrost deixou de ser tão estável desde que começaram as tentativas de erguer casas ou construir estradas sobre ele. Incluindo o gelo, eles formam de 40 a 90% das milenares rochas congeladas, e, nas condições naturais, cobertos de vegetação, serviam como um tipo de isolante, que protegia o gelo debaixo das altas temperaturas do verão. Se a superfície superior for quebrada, ninguém mais poderá impedir o derretimento do gelo, excepto que haja algum isolante que a substitua.
Cada erro na concepção, construção ou manutenção de edifícios e estruturas (por exemplo, isolamento malfeito ou desvio trivial de águas residuais) carrega consequências catastróficas. No relatório do Greenpeace, foram citadas estimativas de que, "na manutenção da eficiência dos canais e na eliminação de deformações mecânicas associadas ao derretimento do permafrost, são gastos anualmente até 55 mil milhões de rublos", e a quantidade de situações de emergência em toda a Sibéria é estimada em cerca de 7 mil por ano. Os fracassos na construção de habitações também acontecem, e não são necessariamente velhas barracas: por causa do degelo do permafrost um prédio novo pode entrar totalmente em desuso entre 6 a 10 anos após a construção, para não mencionar o facto de que muitos não ficam de pé até o término das obras.
Mesmo assim, é possível construir algo sob o gelo, como mostram o maior frigorífico natural ("merzlotnik") e novas construções, como a ferrovia localizada ao norte da Rússia (Obskaia-Bovanenkovo) e a ponte mais longa em latitudes polares. O merzlotnik, formando nas rochas milenares congeladas, é uma mina composta de três galerias com extensão de 100 a 140 metros. Foi construído em 1956 e agora é mais um monumento à teimosia humana do que um fenómeno de tecnologias avançadas. Durante mais de 50 anos de operação, o merzlotnik não precisou passar por nenhuma reforma.
Já a longa ponte de 3,9 km através do vale do rio Iuribei é uma fonte de orgulho da Gazprom (grande companhia de gás russa). Como indicado no site da empresa de gás, a Gazprom teve “sucesso ao construir em um solo que é pouco adequado para a construção", ou seja, no permafrost, com um esguicho de soluções salinas criogênicas com ponto de congelamento muito baixo, que às vezes chega a 30 graus negativos.
Nadiejda Petrova, Kommersant-Vlast
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Fonte (Texto e imagem): Gazeta Russa

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

3772. Superfície do oceano mais quente reduz produção de peixes

Um relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirma que o aquecimento das águas superficiais dos oceanos limita o movimento dos nutrientes e pode resultar em diminuição da produção de peixes, o que afectaria o quotidiano da população. Segundo as projecções apontadas no documento, a limitação do movimento ascendente dos nutrientes das águas mais profundas e frias (fenómeno conhecido como ressurgência) afectaria os grandes ecossistemas marinhos de países em desenvolvimento situados em áreas mais quentes na Ásia, África e América Latina, regiões que são dependentes dos recursos marinhos para a sua segurança alimentar.
Foram analisadas 64 áreas classificadas como grandes ecossistemas marinhos (que incluem bacias hidrográficas e estuários) e verificou-se que entre 1982 e 2006, houve uma subida da temperatura em 61 zonas (sendo que três delas no Brasil). Além disso, em cerca de um terço dessas áreas, a temperatura tem-se elevado até quatro vezes mais rápido do que as tendências de aquecimento global relatadas pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).
Uma das regiões onde foi constatada uma rápida subida da temperatura é a do Mar Báltico, no nordeste da Europa e que banha nove países. Segundo o órgão da ONU, em 24 anos a temperatura na superfície do oceano subiu 1,35 ºC. O documento aponta que o degelo nas regiões próximas ao Árctico poderia amornar a água e elevar a quantidade de pesca nesta região (que inclui também o Mar da Noruega), porém, o tamanho dos peixes diminuiria.
Este efeito sobre a população reprodutora, de acordo com o PNUD, pode resultar no colapso de outras espécies de peixes. O relatório recomenda neste caso providências para estabelecer níveis de captura sustentáveis para a pesca em latitudes mais quentes.
Outro ponto abordado pelo estudo é a inclusão de medidas para sustentar a pesca marinha, restaurar e proteger os habitats costeiros, principalmente os sumidouros de carbono, e reduzir a carga de poluentes no oceano.
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Fonte: Correio24horas

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

3771. BRASIL: Boaventura de Sousa Santos pedirá a Dilma que não ratifique as mudanças no Código Florestal

O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que participa esta semana do Fórum Social Temático de Porto Alegre, pedirá na quinta-feira à presidente Dilma Rousseff que não ratifique as mudanças aprovadas pelo Congresso no Novo Código Florestal brasileiro. "Pretendo dizer à presidente que ela não pode ratificar o Novo Código Florestal da maneira como ele foi aprovado pelo Congresso, a legitimar a desflorestação de terras pelo agro-negócio", afirmou à Agência Lusa.
Boaventura de Sousa Santos foi um dos intelectuais e líderes ambientais escolhidos para se reunir à porta fechada com Dilma Rousseff na quinta-feira, em Porto Alegre.
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Fonte: Destak

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

3770. Humanidade pode ser responsável por 74% do aquecimento global

Os pesquisadores de um instituto de climatologia da Europa elaboraram um relatório que pretendia responder, entre outras perguntas, à seguinte questão: qual a parcela de “culpa” pode ser atribuída às actividades do homem pelas alterações climáticas pelas quais o planeta está a passar? O resultado, no final das contas, pode ser medido em percentagem: 74%.
Este número, resultado de um estudo da entidade EHT, de Zurique (Suíça), foi alcançado por etapas. A primeira, já conhecida pelos cientistas há décadas, foi assumir a influência do efeito estufa: gases como o metano e o dióxido de carbono, libertados para a atmosfera em grande escala, prendem calor abaixo dela e elevam sensivelmente a temperatura global.
Isso abre, segundo os pesquisadores, duas questões: quanto do recente aumento de temperatura da Terra pode ser atribuído a isso? E até quando essa situação vai perdurar até atingir um ponto de equilíbrio? Os cientistas divergem nesses quesitos, mas a impressão geral é que os modelos de alterações climáticas desenvolvidos recentemente são muito rasos: analisaram apenas a temperatura do planeta. A mudança de análise está exactamente nesse ponto. O que está em questão não é apenas a temperatura, mas a energia de radiação solar que circula entre a superfície e a atmosfera. Ou seja: o sol, lá de onde está, influencia também na temperatura da Terra a partir de aumento de energia descarregada no planeta em forma de raios.
Os cálculos dos pesquisadores acabaram no seguinte veredicto: 26% do aquecimento global, nas últimas décadas, foram causados devido à radiação e outros factores naturais que fogem do controle do homem. Os outros 74%, no entanto, estão directamente relacionados com as actividades humanas após a revolução industrial.
Esta pesquisa, no entanto, não passa sem críticas. Cientistas com teorias dissonantes afirmam que estes resultados são muito simplistas, e que não se pode medir dessa maneira a relação entre radiação solar que incide sobre o planeta e temperatura global. Pode haver, segundo os contestadores, outros pesos na balança do clima, além da radiação e temperatura aparente, e a pesquisa não levou isso em conta de forma clara.
A influência dos oceanos, por exemplo, é um ponto de discussão. Os pesquisadores suíços adoptaram um método de análise que não se encaixa, de acordo com os críticos, nos demais processos da pesquisa. Dessa maneira, a pesquisa continua sendo posta em dúvida: será que a actividade humana é de fato responsável pelos tais 74% das mudanças climáticas?
Este resultado pode influenciar medidas de escala global, segundo os cientistas. Se no futuro chegarmos à conclusão de que o número é real ou ainda maior, medidas extremas como o corte nos créditos de carbono industrial e até racionamento de carne devem aumentar. Se, por outro lado, for provado que 74% é um exagero, até medidas básicas como desenvolver a energia solar em detrimento da nuclear, por exemplo, podem ser desnecessárias do ponto de vista climático.
Stephanie D’Ornelas
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Fonte: hypeScience

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

3769. Alterações climáticas provocam «stress térmico» nas aves

As aves e borboletas europeias deslocam-se em direcção ao norte seguindo as alterações climáticas, uma «viagem» que não é rápida e que acaba por impedir que estas espécies permaneçam em áreas mais adequadas, o que acaba por provocar um stress térmico constante. Denominado «dívida climática», este fenómeno pode representar um problema para a conservação da biodiversidade europeia, como apontam os autores da pesquisa internacional que revela que as borboletas e os pássaros movimentam-se para o norte em ritmos diferentes.
Elaborada em colaboração com a Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) e publicada na revista Nature, a pesquisa mostra que os pássaros podem ser encontrados 212 quilómetros afastados das suas áreas climáticas adequadas, enquanto as borboletas estão a 135 quilómetros. Por conta desta alteração, muitas espécies que antes conviviam no mesmo espaço agora já não coincidem e, por isso, os ecossistemas europeus estão a mudar «em velocidades nunca vistas antes», assinalam os investigadores do Centro de Pesquisa Ecológica e Aplicações Florestais (CREAF) da universidade espanhola.
Muitos pássaros que se alimentam de lagartas de borboletas não teriam alimento suficiente e, em geral, isto poderia desencadear uma menor disponibilidade de recursos para outro bom número de espécies. O trabalho demonstra que durante as duas últimas décadas, a distribuição das comunidades de aves e de borboletas no território europeu foi respondendo de forma descompassada ao aquecimento global, uma dívida climática que ameaça uma série de espécies.
Os resultados do estudo mostram que, entre 1990 e 2008, a temperatura média europeia deslocou-se em direcção ao norte 249 quilómetros. Para manter as condições meteorológicas parecidas, as espécies deveriam ter percorrido os mesmos quilómetros no mesmo período de tempo. No entanto, o estudo revela que, na média, as comunidades de aves na Europa movimentaram-se em direcção ao norte só 37 quilómetros, enquanto as borboletas teriam percorrido 114 quilómetros, um facto que gera essa forma de desfasamento.
«A dívida climática e o stress térmico fazem com que tanto os pássaros como as borboletas sejam cada vez mais vulneráveis a possíveis ameaças», aponta o especialista Constanti Stefanescu do Museu de Granollers de Ciências Naturais, que participou do estudo. Para desenvolver este trabalho, os pesquisadores calcularam a temperatura média em que vive cada espécie e, a partir destes dados e dos acompanhamentos de aves e borboletas, compararam com a temperatura associada a cada comunidade (CTI).
Analisando o valor do CTI em mais de 10 mil áreas de amostragem de biodiversidade, desde a Escandinávia até à bacia Mediterrânica, foi constatado que este índice aumentou (entre 1990-2008) em magnitude de deslocamentos em direcção ao norte de forma surpreendente. Este resultado não é relacionado apenas com a chegada de novas espécies, mas, principalmente, por mudanças na abundância das povoações, segundo os dados obtidos na Finlândia, Suécia, Reino Unido, Países Baixos, República Checa, França e Espanha.
O aumento do CTI durante o período de estudo foi observado na maior parte dos países europeus, mas o deslocamento em direcção ao norte é muito mais visível nos países escandinavos, onde os efeitos das alterações climáticas seriam mais influentes que nos mediterrânicos.
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Fonte: DiárioDigital

domingo, 22 de janeiro de 2012

3768. CANAL DE MOÇAMBIQUE: Ciclone Tropical FUNSO

Imagem de Satélite às 15h45
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Fonte: Sat24.com
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Multi-Sensor Precipitation Estimate – MPE
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Fonte: Google Earth/Eumetsat

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Past and Forecast Track
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Fonte: Tropical Storm Risk (TSR)

3767. Domingo, 22 de Janeiro (15h00)

Algumas temperaturas às 15h00
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Santarém (Cidade): 19,4 ºC
Alvega: 18,9 ºC
Coimbra (Bencata): 18,8 ºC
Alvalade: 18,6 ºC
Fundão: 18,4 ºC
Avis (Benavila – Esc. Abreu Callado): 18,3 ºC
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Moncorvo: 8,2 ºC
Trancoso (Bandarra): 7,7 ºC
Mogadouro: 7,1 ºC
Mirandela: 6,7 ºC
Macedo de Cavaleiros (Bagueixe): 6,3 ºC
Miranda do Douro: 5,9 ºC
Areeiro (Madeira): 4,9 ºC
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Fonte: Instituto de Meteorologia